Setembro teve mais dispensas do que pregões: o que isso muda para quem vende ao governo
Em setembro de 2026 o governo federal registrou 10.429 dispensas e 8.594 pregões eletrônicos. Veja o que isso muda para quem vende ao governo.
Em setembro de 2026, o governo federal registrou mais dispensas de licitação do que pregões eletrônicos: foram 10.429 dispensas contra 8.594 pregões eletrônicos, segundo o módulo Contratações (Lei 14.133) do Compras.gov.br Dados Abertos. Para quem vende ao governo, o recado é direto: a porta de entrada mais movimentada do mês não foi o pregão, e quem olha só para pregão deixou de ver boa parte das oportunidades.
O pregão eletrônico continua sendo a modalidade das compras maiores e mais disputadas. Mas, em quantidade de processos, a dispensa passou à frente. Além disso, o pregão recuou de um mês para o outro: agosto de 2026 teve 8.979 pregões eletrônicos, e setembro teve 8.594, uma queda de 4,3%.
Os números contam processos, não valores. Isso importa para ler o dado do jeito certo, e é o primeiro ponto a entender.
O que os números dizem (e o que não dizem)
Uma dispensa e um pregão não são compras do mesmo tamanho. A dispensa por valor existe justamente para as compras menores: a Lei 14.133 permite contratar sem licitação até um teto de valor, atualizado todo ano por decreto. O pregão não tem esse teto e é usado para compras maiores, contratos de serviço continuado e atas de registro de preços, que podem valer por muito tempo e atender vários órgãos.
Por isso, dizer que houve mais dispensas do que pregões não é dizer que a dispensa movimentou mais dinheiro. É dizer que houve mais processos de compra abertos por esse caminho. Para a rotina de quem vende, porém, é exatamente a quantidade de processos que define quantas vezes por mês existe uma chance de enviar proposta.
Também vale separar o que é fato do que é interpretação. O fato é o que está na fonte oficial: 10.429 dispensas e 8.594 pregões eletrônicos em setembro, e 8.979 pregões eletrônicos em agosto. A fonte não explica o motivo da diferença, e este texto não vai inventar um. Um mês isolado não faz tendência; o que ele faz é mostrar onde as oportunidades apareceram naquele período.
Por que a dispensa pesa tanto na rotina de quem vende
A dispensa eletrônica tem um ritmo próprio, bem diferente do pregão:
- Prazo curto. O aviso fica aberto por poucos dias úteis. Quem vê na semana seguinte já perdeu.
- Menos etapas. Não há a fase longa de edital, impugnação e recurso que um pregão costuma ter. A disputa é rápida e o resultado sai logo.
- Documentação mais simples. O órgão ainda exige regularidade fiscal e trabalhista, mas o pacote de habilitação tende a ser menor do que o de um pregão grande.
- Valores menores. O teto legal limita o tamanho da compra, o que afasta parte dos concorrentes grandes e abre espaço para empresas menores.
Esse conjunto tem dois efeitos práticos. O primeiro é que a dispensa serve como porta de entrada: é um jeito de fazer a primeira venda para um órgão, receber, emitir o primeiro atestado de capacidade técnica e passar a ser conhecido pela área de compras. O segundo é que ela pune quem acompanha as oportunidades de forma manual. Entrar no portal uma vez por semana funciona mal para pregão e não funciona para dispensa.
Há também um ponto de cuidado. Como o valor é menor, a margem costuma ser apertada, e o custo de participar (tempo de quem monta a proposta, frete, prazo de entrega) pesa mais. Vender por dispensa compensa quando a empresa escolhe bem: itens que já tem em estoque, órgãos próximos e compras que se repetem.
O que fazer na prática a partir de agora
Se a sua empresa vende ao governo, três ajustes simples acompanham esse cenário:
- Inclua as dispensas no seu acompanhamento diário. Se o seu aviso de oportunidades só traz pregões, você está olhando para a menor parte dos processos do mês. O filtro por modalidade precisa incluir dispensa.
- Trabalhe com aviso diário, não semanal. O prazo da dispensa não espera. O ideal é receber todo dia as licitações novas dos produtos que você vende e decidir na hora quais valem a proposta.
- Use a dispensa para abrir órgãos, e o pregão para crescer. Uma primeira venda pequena mostra se o órgão paga em dia e como ele compra. Com esse histórico, fica mais fácil decidir em quais pregões e atas daquele órgão vale a pena brigar.
Vale ainda guardar o resultado de cada dispensa que você disputou: quem ganhou e por quanto. Em pouco tempo isso vira um histórico de preço do seu próprio mercado, que ajuda a calibrar a próxima proposta.
A queda de 4,3% nos pregões eletrônicos entre agosto e setembro não muda essa lógica. O pregão segue sendo onde estão os contratos maiores. O dado de setembro só reforça que acompanhar uma modalidade e ignorar a outra é ver o mercado pela metade.
No DataGovi, as licitações em aberto dos produtos que você cadastra aparecem todos os dias na tela e por e-mail, com filtro por modalidade, incluindo dispensa e pregão. Os dados vêm de fontes oficiais.
Perguntas frequentes
Quantas dispensas e quantos pregões eletrônicos houve em setembro de 2026?
Foram 10.429 dispensas e 8.594 pregões eletrônicos, segundo o módulo Contratações (Lei 14.133) do Compras.gov.br Dados Abertos, em consulta de 13/10/2026.
O número de pregões eletrônicos caiu em relação a agosto?
Sim. Agosto de 2026 teve 8.979 pregões eletrônicos e setembro teve 8.594, uma queda de 4,3%.
Mais dispensas significa que a dispensa movimenta mais dinheiro que o pregão?
Não. Os números aqui contam processos, não valores. A dispensa tem limite de valor por lei e costuma ser uma compra menor, enquanto o pregão concentra as compras maiores e os registros de preços.
Vale a pena para uma empresa pequena acompanhar dispensas?
Vale. A dispensa tem prazo curto, exige menos documentação e é uma forma de começar a vender para um órgão. O ponto de atenção é o prazo: quem não recebe o aviso no dia costuma perder a chance de enviar proposta.
Fontes
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